Conto do Porteiro mais rico do Prédio - Parte 2

  No mesmo edifício, na mesma cidade trabalha um sujeito com muito dinheiro. À sua volta mora muita gente com muito dinheiro também, mas que gastam muito dinheiro com a coisa mais boba que existe: silêncio.
  Conhece alguém que saiba o preço do silêncio? Já tentou comprar um por aí? Silêncio é como aquele cinto feio da off-white, ninguém sabe o preço, mas sabem que é muito caro. Jurandir vendia silêncio, Jurandir vendia muito silêncio. A oferta e demanda eram leis naquele prédio, todos ali precisavam de silêncio, todos compravam, todos estavam ansiosos por comprar, todos ficavam muito nervosos quando não conseguiam fazer sua compra diária. Sabendo do que todos precisavam Jurandir virou um feirante, o cara que vende ovo todo fim de semana às oito da manhã, era como um traficante. As pessoas precisavam dos seus serviços, e não só do silêncio, as pessoas ali realmente precisavam de um traficante.
  Sim, muitos moradores ali usavam drogas, usavam muitas drogas, e como eram ricos não usavam qualquer droga, só consumiam as caras, puras e fortes. E adivinha quem deixava um traficante vender seus produtos ilícitos no prédio? Sim, Jurandir. E quem ganhava mais dinheiro? O traficante? Não, Jurandir.
  O porteiro e seu espírito empreendedor cobravam do traficante pela permissão de vender drogas, cobrava da pessoas que compravam por deixar o traficante entrar e depois cobrava o silêncio do viciado, que não queria que sua família soubesse e também da família do viciado porque esses não querem que as outras pessoas saibam. Jurandir não fazia nada, mas era o que mais faturava.


Para ver a parte 1 basta clicar aqui

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