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Mostrando postagens de julho, 2018

Quanto tempo o tempo tem?

Em uma viagem simples de 70 quilômetros eu me encontrava cansado e com uma maldita vontade de dormir. Era nove da noite, o ônibus estava quarenta minutos atrasado, e ao que parece transporte de passageiros não é lucrativo o bastante, pois ficaram mais meia hora na garagem carregando caixas e encomendas que ninguém se importa. Quando estava quase chegando, o motorista estaciona num lugar e grita "PARADA DE VINTE MINUTOS". Estamos à dez minutos de casa, mas paramos em uma lanchonete por vinte. A Experiência me ensinou muito, ficar vinte minutos em um ônibus parado, com ar condicionado desligado e estando com pressa, vinte minutos parecem três horas. Decido sair, vou comprar algo pra comer, porque raiva dá fome. Os preços ali são muito peculiares, 6 reais uma coxinha e 5 um suco de laranja, acho que é sobre isso que se trata quando falam de roubo na rodovia. Descobri que o tempo não é só relativo, ele também é caro.

Lindos campos têm mais flores

Seu João alugava um quarto de sua casa na zona rural para casais da cidade. O dinheiro que vinha a mais sempre ajudava no orçamento quando estava fora de temporada de colheita, mas isso não impedia de ter dúvidas que não encontra respostas.  "Por que mesmo essas pessoas me pagam pra vir pro meio mato?" "E se eles tiverem algum problema de saúde, vai ser culpa deles mesmo ter vindo pra algum lugar longe de tudo." "Por que mesmo tendo pagado o quarto, montaram uma barraca perto da reserva ambiental?" "Eles saem da cidade pra vir pra cá, na cidade não tem mosquitos, aqui tem, mas usam repelente, não conseguem nem aguentar uma meia dúzia de porvinha." "Por algum motivo resolveram ir tirar leite das vacas, preciso chamar mais desses turistas pra fazer meu trabalho de graça." "E querem andar a cavalo? Garanto que antes daqui nunca tinham visto um bicho maior que um cachorro, aqueles cachorros de madame que latem ardido....

Crônica da Cebola

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Para uma viagem de volta pra casa calculei errado minha capacidade de acumular e minhas malas para transportar o que acumulo. Basicamente tinha duas malas e tranqueiras para quatro. Mais de depressa e tomado pelo desespero fui no mercado, comprei algo aleatório que não acabasse com meu dinheiro, tipo uma ameixa. Isso era para não me sentir mal e para que os funcionários ali não pensassem que estava apenas procurando uma caixa. Quando encontrei uma dando sopa (no sentido figurado, porque sempre tem aquelas pessoas que realmente estão dando sopa) peguei sem demora. Lá estava eu, andando tão mal vestido quando possível e segurando uma caixa. Se aqueles que estavam trabalhando ali não me olhavam torto, os bem vestidos olhavam. Ao chegar em casa usei minha nova super caixa de papelão para guardar o conteúdo de uma terceira mala. Quando estava sem esperanças lembrei de um episódio da série Eu, a Patroa e as Crianças, as filhas usam as roupas que não cabem nas malas. Depois me encontro vesti...