Postagens

Mostrando postagens de julho, 2017

Predador à espreita

É noite lá fora, mas para ela não existe tal distinção. Não importa o horário do dia, é sempre horário de dormir e de matar. Existe um mal vivendo nas ruas e é seu dever livrar-se dele. A tarefa é árdua. o inimigo se reproduz como coelhos, para cada um eliminado quinze novas pragas nascem. Por isso ela tenta sempre matar matriarcas, e assim evitar que sua prole se propague. Muitos tentam erradicar com esse problema, mas poucos conseguem efetivamente, ela é a mais apta. Com o sua visão apurada ela espreita de um lugar mais alto. A presa corre pelo chão, não sabe o que lhe espera. Não importa o quão rápido o inimigo possa ser, ele não é páreo. Basta um salto e tudo está acabado. Ao ver o movimento dela por cima de si a presa desiste, não há o que fazer, a morte lhe espera. Tudo o que lhe resta é torcer para que seja rápido, pois limpo não será. Depois de ter matado, ela exibe o corpo sem vida como um troféu. Hoje o jantar será carne, carne do inimigo, carne de rato.

Se torne

Na praça há crianças brincando. Elas gritam e fazem a maior bagunça no espaço. Você está com elas, faz parte da algazarra. Chega um homem que provavelmente tem sete vezes mais a idade das crianças. Bravo como sempre ele grita com as crianças por gritarem. A ironia é clara, mas ele não enxerga. Como você e seus amigos foram ensinados que se deve respeitar os mais velhos deixam a praça e vão para suas casas. A primeira coisa é reclamar com seus pais, que ficam bravos com o idoso. Anos depois seu filho volta da brincadeira com os amigos e reclama para você de um velho que brigou com ele na praça. Você não gosta que ninguém brigue com seu filho. Ao se informar descobre que o velho era um pai de um amigo seu. O ciclo avançou, o que sobra agora para você é ser o rabugento, não há como escapar.

Primeiro dia, primeiro ano

Jeferson estava animado para o seu primeiro dia de trabalho. Levantou da cama cedo, pois na noite anterior não havia dormido bem. A ansiedade para começar o fazia tremer. Café quente tirou-lhe todo o sono. Já na empresa ele conheceu seus novos colegas, todos muito simpáticos. Suas dúvidas durante o trabalho eram sempre respondidas prontamente por todos. Tudo ali parecia ótimo, até o café do lugar era delicioso. Dois meses depois tudo havia mudado em seu emprego. Seu chefe brigava muito com ele. Seus colegas além de não se importarem começaram a implicar. Até o café estava amargo. Um ano depois tudo piorou mais, a convivência estava impossível, o café estava tão ruim que começou a trazer de casa. Mas mesmo esse estava com gosto horrível. A vida ali deixava tudo amargo. Quando chegou perto de dois anos ele não aguentou e saiu de lá. Por alguns dias Jeferson desfrutou da paz de não ter que trabalhar. Mas o inferno do desemprego chegou em sua vida. Sua cidade e seu país estavam em cris...

Vovó versus Neura

O cheiro que vem da cozinha te deixa com fome. Você olha no relógio, são duas da tarde. Passaram apenas duas horas desde sua última refeição. Sua avó está passando o tempo dela cozinhando para te alimentar e você está preocupado com o quanto seus amigos irão pegar no seu pé porque engordou. Quando ela traz o primeiro prato você agradece, mas diz que está satisfeito. A tristeza no olhar dela faz com que esqueça todas as neuras com relação a forma física. Por hora um treino mais pesado na academia pode resolver esse problema. Então come. Nesse momento você usa todas as habilidades que geralmente usa para mentir para outros em si mesmo. Promessas como dietas e atividades físicas ficam em destaque. O ser duvidante que está dentro de você é reprimido ao máximo, mas não fica quieto. No fundo sabe que isso é a maior besteira e que não fará nada, afinal, alguma dia já fez? Na prática você comeu seu almoço, duas horas depois comeu mais e sua vó ainda está na cozinha, e de lá vem um cheiro tão ...

Sábado de sol

Era sábado, era uma manhã linda. O frio noturno ainda não tinha dado lugar ao calor do sol. Oito horas marcava o relógio do celular que era visualizado a cada cinco minutos. O dia não havia nem começado ainda, mas ele já estava em pé, andando e não pensando. Afinal se pensasse como devia teria convencido sua esposa à ficar em casa dormindo. Para aquele casal sábado era dia de descanso, mas infelizmente não aquele, pois estava reservado para compras. O casal entrava em lojas e mais lojas, o marido apenas diferenciava elas como: com cadeira e sem cadeira. As lojas que tinham cadeiras eram ótimas, ele podia sentar e tentar dormir enquanto sua esposa fazia as compras para ele, para ela e para casa. Roupas para ela eram preciso experimentar, atividade que levava tempo. Esse tempo era muito bem aproveitado quando haviam cadeiras para que seu marido pudesse fazer nada. Lojas sem cadeiras eram duplamente horríveis, ele não podia descansar e ela não podia fazer compras em paz porque seu marido...

Patrocine o caos

Diário do Capitão da frota. Ano 15.127 da expansão. Segunda transmissão. Continuo minha busca pelos melhores meios para invadir esse planeta. Os terráqueos não estão muito avançados na questão bélica, mas não são ignorantes nessa questão. Pensei em testar as armas deles, mas ao que parece, estão sempre tentando usá-las contra seu próprio povo. Esse tipo de coisa acontece muito em todas as facetas da sua sociedade. Impossível descrever aqui todos os tipo de assassinatos que ocorrem, mas é possível separar em grupos os envolvidos com armas. A grande parte da população não possui arma alguma, ou seja, mesmo sendo muito numerosos, sua efetividade em um ataque é nula. O exército é a única ameaça à expansão, são os únicos treinados. Além deles muitos outros portam armas, mas nenhum é treinado pra combate. Confiem quando digo que humanos não treinados com armas são mais perigosos para eles mesmos do que para nós. Afinal a única razão para portarem armas é se matar. Eles até tentam falar qu...

O botão de desligar

No fone de ouvido toca uma música qualquer, de uma banda qualquer. A qualidade pouca importa, o que importa é o conceito. Com o aparelho ligado é possível se desligar do mundo que ao seu redor. Isso funciona de duas formas: Ela para de ouvir o ambiente e as pessoas, as pessoas então notam que ela está ignorando-as e a ignoram de volta. Com o tempo suas técnicas de ignorar foram se aperfeiçoando, concordar com a cabeça para que acreditem, cobrir sempre as orelhas,  olhar diretamente para o sujeito que fala. Um Smartphone que controlasse o volume rapidamente e despercebido era a sua melhor ideia, afinal sempre havia coisas que era preciso ouvir, pois precisavam de uma resposta mais elaborada. Por tempo ela aproveitou das coisas boas de sua técnica, mas os malefícios vieram rápido. Ignorar o som do mundo significa ignorar os sons dos carros, e das buzinas desses carros, ainda mais quando eles se aproximam em alta velocidade. O atropelamento a fez ficar muitos dias internada em um hos...