Conto do Porteiro mais rico do Prédio - Parte 1
No centro da cidade de Londrina existe um Prédio, mas não no centro comum, naquele em que os ricos moram. O aluguel é caro. Nos arredores os produtos do comércio são caros. Os carros que circulam ali são caros. As pessoas usam roupas dessas caras com nome estrangeiro que ninguém consegue pronunciar. A comida que consomem nunca é o podrão que vende no trailer estacionado na esquina. A moda agora é comida caseira, artesanal e gourmet.
Tudo ser caro tem um objetivo, impedir que os que pobres circulem por lá. Afinal como diabos alguém que ganha um salário mínimo iria pagar mil e quatrocentos reais em um aluguel, ou noventa e sete reais em um porção de um peixe que nunca tinha ouvido falar do nome?
Dentro dessa parte da sociedade londrinense de gente rica, existe um rei. De tão rico poderia comprar as posses de todos que lá vivem. Ele comanda o negócio mais bem sucedido da cidade. Milhares de reais entram em suas contas todos os dias.
Sentado em seu lugar, no lobby do prédio, atrás do um balcão, está ele, o porteiro.
Dez horas da manhã, a primeira pessoa deixa o prédio. Sim, dez horas da manhã, ricos não acordam cedo. Dona Fernanda, está bem arrumada, linda, Cheirosa. O perfume se espalha por toda a portaria.
- Bom dia Dona Fernanda.
- Bom dia Jurandir. - Respondeu a mulher olhando de canto de olho.
O Nome do porteiro não é Jurandir, isso é tipo um apelido que algum desses moradores esnobes lhe deram. Hoje o responsável por isso, está lá fora, em algum lugar do centro pobre, na frente de algum restaurante, pedindo marmita.
O passar dessa mulher nesse horário do dia, daquele jeito, fez o porteiro apenas imaginar o quanto sua conta iria arrecadar. Ele sabia onde dona Fernanda estava indo, o que iria fazer, e com quem iria fazer.
Dez horas da manhã ela deixaria o prédio com seu carro. Não qualquer carro, um carro branco de madame. Perto das dez e vinte ela chegaria no salão de beleza, faria as unhas. De lá iria para um quarto de hotel desses de rico, com Plaza ou Royal no nome. Se encontraria com seu amante.e fariam suas coisas até que ela estivesse bagunçada novamente, próxima do visual que acordou. Depois disso, voltaria ao salão e continuava com seus afazeres do dia.
Alguém notou, alguém pensou a respeito. Alguém se aproveitou da situação e alguém ganhou muito dinheiro com isso.
Uma hora da tarde, o marido da dona Fernanda deixava o prédio. Jurandir o cumprimentou e imaginou o valor da sua conta aumentando ainda mais. Aquele era um dia produtivo.
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