Depois da Nação - Parte 1
Meu nome é Júlio e isso é tudo que posso contar sobre mim, porque eu não sei mais nada. Tudo o que importa é conseguir comida e se manter vivo, não há tempo para pensar em outras coisas. Não sei quantos anos eu tenho, faz muito tempo que não vejo um calendário, mesmo sem ter a noção disso sei que já vivi tempo demais.
Minha esperteza fez com que ninguém quisesse me matar, um indigente vivendo nas sarjetas não possui qualquer tipo de arma, não representa ameaça para aqueles que possuem. Esse estilo de vida me deixa alheio a guerra, e mais importante, vivo. Aqueles que vivem melhor se matam todos os dias, todas horas, como nasci nesse tempo não importo com a carnificina, eles não se importariam se fosse eu engasgando com meu próprio sangue.
Eu vivo em uma praia afastada de difícil acesso, vim por causa da comida, depois que a sociedade acabou não teve mais pesca predatória e os peixes se reproduziram melhor, não posso reclamar. De longe vejo pessoas sendo alvo dos fuzis dos homens que ainda se dizem policiais, todos serão degolados durante a noite. Não há poder em usar uma arma, há apenas uma ilusão de superioridade que será arrancada junto com o seu escalpo quando dormirem.
Na vida que eu levo não há ambições, necessidade de poder ou grandes refeições, mas estou vivo. Aqueles que buscam conquistar seus planos jazem no local em que dão o último suspiro deixando o ar pútrido e servindo de alimento para ratazanas.
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